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emojis

De simples desenhos de poucos pixels a elementos presentes em mensagens, redes sociais e campanhas de grandes marcas: conheça a história dos emojis e entenda por que eles se tornaram tão importantes na comunicação digital.

Imagine receber uma mensagem no WhatsApp dizendo:

“Tudo bem.”

Agora compare com:

“Tudo bem! 😊”

As palavras dizem praticamente a mesma coisa. A sensação transmitida, porém, pode ser completamente diferente.

Na comunicação presencial, contamos com expressão facial, gestos, entonação e uma série de sinais que ajudam a interpretar o que alguém está dizendo. Quando a conversa acontece por meio de uma tela, boa parte dessas informações desaparece.

E foi justamente nesse ambiente que pequenos símbolos começaram a ganhar uma importância enorme.

Hoje usamos 😂 para mostrar que algo foi muito engraçado, ❤️ para demonstrar carinho, 👀 para criar expectativa e até 💀 para dizer que estamos “morrendo de rir”.

Mas como chegamos até aqui?

Antes dos emojis, vieram os emoticons 🙂

Quem viveu os primeiros anos da internet provavelmente se lembra deles.

🙂
🙁
😉

Era preciso inclinar um pouco a cabeça para entender, mas dois-pontos, traços e parênteses conseguiam transformar caracteres comuns do teclado em rostos.

Um marco frequentemente citado aconteceu em 1982, quando o cientista da computação Scott Fahlman sugeriu usar 🙂 e 🙁 em mensagens de um fórum da Carnegie Mellon University para ajudar os leitores a diferenciar comentários bem-humorados daqueles que deveriam ser levados a sério.

Os emoticons já tentavam solucionar um problema que continuamos enfrentando décadas depois: como transmitir emoção e intenção quando estamos escrevendo?

Com o tempo, o 🙂 virou 🙂 e diversas outras combinações surgiram.

Até que os desenhos propriamente ditos começaram a entrar na conversa.

Afinal, quem inventou os emojis?

A história dos emojis está diretamente relacionada ao crescimento da comunicação móvel no Japão.

Em 1999, o designer japonês Shigetaka Kurita criou um conjunto de 176 pequenos pictogramas, originalmente com apenas 12 × 12 pixels, para o serviço móvel i-mode, da empresa japonesa NTT DoCoMo.

A ideia era permitir que determinadas informações e emoções fossem transmitidas de maneira simples dentro das limitações das telas e da comunicação móvel daquela época.

E existe uma curiosidade interessante sobre o próprio nome.

Embora pareça uma combinação perfeita entre as palavras inglesas emotion e icon, “emoji” é uma palavra de origem japonesa.

“e” (絵) significa imagem ou desenho, enquanto “moji” (文字) significa caractere.

Em uma tradução aproximada, portanto, emoji significa “caractere de imagem”.

A semelhança com a palavra emotion é apenas uma coincidência.

Como os emojis conquistaram o mundo?

Durante algum tempo, diferentes empresas e serviços utilizavam seus próprios conjuntos de símbolos. Isso criava um problema importante: como fazer com que um caractere enviado de um aparelho pudesse ser compreendido corretamente em outro?

A expansão internacional dos emojis ganhou força com sua incorporação ao Unicode, padrão responsável por permitir a representação consistente de caracteres em diferentes sistemas.

A partir daí, empresas como Apple, Google, Microsoft e outras passaram a oferecer suas próprias representações gráficas dos mesmos caracteres.

É por isso que existe uma característica dos emojis que permanece até hoje:

o mesmo emoji pode ter aparências diferentes dependendo do aparelho ou plataforma utilizada.

O caractere é o mesmo, mas seu desenho pode mudar.

E pequenas diferenças visuais podem, inclusive, alterar a maneira como interpretamos uma mensagem.

Quando um emoji virou “Palavra do Ano”

Se ainda havia alguma dúvida sobre a importância que os emojis haviam conquistado na nossa linguagem, 2015 trouxe um episódio bastante simbólico.

Naquele ano, o Oxford Dictionaries escolheu o 😂, oficialmente chamado Face with Tears of Joy, como sua Word of the Year.

Sim: um emoji foi escolhido como “palavra do ano”.

A escolha refletia o crescimento expressivo do uso dos emojis e a maneira como esses símbolos já haviam se incorporado à comunicação cotidiana.

Um desenho que cabia na tela de um celular havia se transformado em uma forma de expressão compreendida por milhões de pessoas.

Os emojis também mudam de significado

Mas existe um aspecto ainda mais interessante nessa história.

A linguagem não fica parada.

E os emojis também não.

O significado oficial de um símbolo nem sempre corresponde exatamente à maneira como ele é utilizado pelas pessoas.

Veja o 💀, por exemplo.

É uma caveira. Mas em determinadas conversas e principalmente entre públicos mais jovens, ela pode significar algo como:

“Morri de rir.”

Nesse contexto, 💀 pode ocupar o espaço que durante muitos anos pertenceu quase exclusivamente ao 😂.

O 👍 também é interessante.

Para algumas pessoas, é simplesmente uma maneira rápida e simpática de dizer:

“Ok!”

Para outras, dependendo da conversa, pode parecer frio, distante ou até passivo-agressivo.

E temos ainda o aparentemente inocente:

🙂

É um sorriso.

Mas coloque esse emoji depois de determinadas frases e, de repente, aquele sorriso pode ganhar uma interpretação completamente diferente.

Isso acontece porque não interpretamos um emoji isoladamente. Interpretamos o contexto, a pessoa que enviou, a conversa e até a relação que temos com ela.

O que os emojis ensinam sobre comunicação digital?

Talvez essa seja a parte mais interessante dessa história para quem trabalha com comunicação.

Compare:

Precisamos conversar.

com:

Precisamos conversar 😂

ou:

Precisamos conversar 😬

ou ainda:

Precisamos conversar ❤️

São as mesmas duas palavras.

Mas temos quatro mensagens que podem ser percebidas de maneiras completamente diferentes.

Isso mostra que comunicação não é formada apenas pelas palavras que escolhemos.

Tom, contexto e intenção também comunicam.

E nas conversas digitais, os emojis passaram a exercer parte desse papel.

E as empresas? Devem usar emojis na comunicação?

Depende.

E talvez essa seja a resposta mais importante.

Não existe uma quantidade ideal de emojis que funcione para todas as empresas, assim como não existe um único tom de voz adequado para todas as marcas.

Imagine uma marca de moda voltada para adolescentes utilizando:

✨💖👀🔥

A linguagem pode parecer absolutamente natural para seu público.

Agora imagine uma indústria enviando uma proposta comercial para outra empresa com:

😍🚀🔥🔥🔥

Provavelmente a percepção será outra.

Isso não significa que empresas mais tradicionais não possam utilizar emojis. Significa apenas que a escolha precisa ser coerente com a personalidade da marca, com o público e com o contexto da mensagem.

Emoji também faz parte do tom de voz da marca

Quando construímos a comunicação de uma empresa, normalmente pensamos em logotipo, cores, fontes, fotografias e outros elementos visuais.

Mas uma marca também é reconhecida pela maneira como fala.

Ela é mais formal ou descontraída?

Usa humor?

Fala de maneira técnica ou didática?

Utiliza gírias?

Usa emojis? Quais?

Uma empresa pode, inclusive, estabelecer em seu guia de comunicação quais emojis combinam com sua personalidade e quais devem ser evitados.

Isso ajuda a manter consistência entre publicações nas redes sociais, respostas a comentários, WhatsApp, e-mail marketing e outros canais.

O importante é evitar um erro bastante comum: usar emojis simplesmente porque “todo mundo está usando”.

Nem todo emoji precisa estar em todo lugar 😉

Emojis podem ajudar a tornar uma comunicação mais próxima, destacar informações, organizar visualmente um texto e transmitir emoções que seriam difíceis de expressar somente com palavras.

Mas também podem gerar ruído quando utilizados em excesso ou fora do contexto.

Vale fazer algumas perguntas antes de publicar:

  • Esse emoji combina com a personalidade da marca?
  • O público está acostumado com esse tipo de linguagem?
  • Ele ajuda a mensagem ou está ali apenas como decoração?
  • Existe possibilidade de interpretação diferente daquela pretendida?
  • O canal e o assunto permitem uma comunicação mais informal?

Em muitos casos, um único emoji bem escolhido comunica melhor do que uma sequência inteira deles.

De 12 × 12 pixels para uma nova linguagem

Quando Shigetaka Kurita trabalhou naquele pequeno conjunto de pictogramas no final dos anos 1990, provavelmente seria difícil imaginar a dimensão que aquela forma de comunicação alcançaria.

Hoje, emojis estão em conversas pessoais, atendimento ao cliente, campanhas publicitárias, títulos, notificações, redes sociais e na comunicação diária de empresas do mundo inteiro.

Eles mudaram visualmente, ganharam novas representações e continuam adquirindo significados conforme nossa própria maneira de conversar evolui.

E talvez exista uma boa lição de comunicação escondida nessa história.

Um emoji ocupa poucos pixels. Mas pode mudar completamente o tom de uma mensagem.

Porque comunicar bem não é apenas decidir o que uma marca vai dizer.

É também entender como ela deve dizer.

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